Cena de uma rinha e um akita com seu orgulhoso dono

Cena de uma rinha e um akita com seu orgulhoso dono

Época Medieval

Dados sobre cães no distrito de Tohoku durante o período Sengoku (por volta de 1500 D.C.) são tão escassos quanto no período Azuchi Momoyama (1582 – 1600). Durante esta época em Tohoku, batalhas entre os lordes feudais tão quanto entre as classes sociais eclodiam freqüentemente. Comumente, estas revoltas eram instigadas pelas classes menos favorecidas. Estas revoltas eram chamadas de Gekokujou.(Revolta realizada pelas classes menos favorecidas, que modificaram o regime político vigente.)

O lar do Akita, Odate, não foi exceção e antes da chegada do Clã dos Satake em 1603, oito diferentes lordes ocuparam o Castelo de Odate entre um período de 40 anos. Os Satakes permaneceram como lordes do castelo até 1867. Durante a administração Toyotomi, Odate tornou-se parte de Akita-han, e Kazuno parte de Nambu-han. Entretanto, os limites entre as duas hans não eram totalmente claros. Isto precipitou uma disputa sobre a propriedade da mina Numayama, novamente aberta por Nambu-han. A disputa era intensificada pelo fato de que as áreas ao redor possuíam importantes fontes de renovação. Isto incluia as minas de ouro Shirane e Osarizawa de Nambu-han, as minas de ouro Akasawa e Ookuzo de Akita-han, e as madeiras nobres ao longo do rio Nagaki. Hostilidades entre os residentes destas regiões acirraram seus interesses em relação ao que eles achavam ser seus direitos. Após 60 anos, em 1677, um acordo foi estabelecido através de uma arbitragem Shogunal.

A “Lenda Sagrada (velho cão) de Rouken” da comunidade de Kuzuhara tem sido passada de geração para geração entre os residentes desta área. Esta é a história de um cão leal, e também o reflexo das disputas sobre os limites de terra. A estória é contada assim:

“Matagi Sataroku, um residente de Kusaki em Nambu-Han, foi um caçador licenciado por Daizendayuu Nabunao, o lorde de Nambu. Enquanto caçava, Sataroku esqueceu de levar consigo sua licença, quando acidentalmente ultrapassou os limites para outro território. Ele foi capturado e colocado em uma cela”.Shiro, seu cão companheiro de caça, não pôde compreender o que estava acontecendo. Ele ia até seu dono, uivava e chorava em muitas ocasiões, enquanto a sentinela da cela afastava-se. Após longa e paciente comunicação entre mestre e cão, “Shiro” finalmente entendeu que seu mestre estava em grande problema. De estômago vazio e faminto, ele atravessou as montanhas e campos correndo para casa. Percebendo que a licença havia sido esquecida por seu marido, a esposa de Sataroku à enviou com “Shiro” o mais rápido que ele pudesse retornar. Infelizmente, o tempo que “Shiro” levou para retornar à prisão não foi suficiente. Sataroku já havia sido executado.”

Muitas versões desta estória tem sido relatadas, com variações dependendo do local e do relator. As diferenças entre as versões são comumente influenciadas pelas adversidades e disputas pelos limites de território. Uma versão do relato provinda de Akita-han conta o seguinte: “Sataroku foi capturado no pico de Raiman em Nambu e foi executado no Castelo de Sannohe. Sua esposa e seu estimado cão Shiro foram forçados à sair de sua casa (Tokoro Barai – Relocação forçada, que era uma das punições durante o período Edo.) e relocados para Kuzuhara, em Akita. Conhecendo a estória, camponeses admiram a lealdade de “Shiro” e erguem um templo sagrado sobre seu túmulo.

Por outro lado, a versão de Nambu é a seguinte: “Sataroku foi capturado e assassinado próximo à comunidade de Kuzuhura. Percebendo que seu mestre havia morrido, “Shiro” subiu no topo do monte, atrás da comunidade e uivou incessantemente por dia e noite. À partir deste dia, Kuzuhura presenciou uma série de maus preságios e epidemias. Amedrontados por possíveis desastres, os camponeses acolheram a esposa de Sataroku e “Shiro” em seu vilarejo. O templo de Rouken, sagrou o espírito de “Shiro”, o qual foi elevado após sua morte.
Durante o período seguinte, o desenvolvimento de minas trouxe o crescimento da população na área de Akita. A primeira mina aberta atraiu muitos aventureiros à procura de dinheiro. Isto incluem operários tanto quanto mercadores, monges e prostitutas. Era fácil encontrar trabalhos nas minas, muitos prisioneiros e viajantes, também refugiados cristãos sofrendo perseguições, encontraram seu caminho nestas comunidades mineiras. Alguns deles foram capturados e executados.

Durante o período Togukawa (1603-1867) ocorreram mais de 70 revoltas (ikkis) em Akita-han. Houveram dois períodos cruciais. Um foi contra a nova administração Satake e a terra taxada (Kenchi – Uma lei de território, incluindo limites, fazendas e suas colheitas para garantir propósitos de taxação.) por volta das eras Keichou e Genna (1596-1623). O outro foi provocado pela escassez de alimento durante as eras Tenmei (1783-1788) e a Tenpou (por volta de 1830). Supõem-se que a pior falta de alimento matou mais de 7000 pessoas em Akita-han. Isto ocorreu em 1783 e foi chamada de “Morte do Ano do Coelho”.

Condições sociais instáveis, acompanhadas de vários fatores mencionados acima, causaram muita ansiedade entre os residentes da área que forçaram-se à preparar uma auto-defesa. O primeiro passo foi adquirir um cão de guarda. Isto significou utilizar o Matagi-Inú para propósitos diferentes dos primeiros estabelecidos.
A primeira exigência para um bom cão de caça é a habilidade de executar eficientemente a caçada. Para um cão de guarda, entretanto, uma aparência impositiva é provavelmente mais importante. Supõe-se que a preferência por cães maiores e mais estruturados influenciou a criação, o que resultou num gradual acréscimo no tamanho dos cães. Aí esta o inicio do desenvolvimento de uma raça de grande porte chamada Akita.

Desde esta época, tem sido tradicional para o povo nesta região manter cães. Caçadores (Matagis) mantinham cães de caça enquanto prósperos fazendeiros e antigas famílias de grande influência mantinham cães de guarda. Nas cercânias de Odate, algumas famílias começaram a usar seus cães em rinhas. Exatamente quando isto iniciou é incerto. De acordo com tradições relatadas oralmente, muitas famílias possuíam um ou dois cães bravos. Antigas e renomadas famílias em particular, criavam cães todos da mesma cor de geração para geração como se estes cães fossem brasões da família. Estes cães eram conhecidos pelas suas cores e pelo nome da família proprietária. Alguns exemplos são “O Branco de Adachi”, “O Tigrado de Benzousama” e “O Negro de Izumi”.

Após os eventos frequentados por uma grande quantidade de pessoas terem sido suspensos, proprietários destas famílias criadoras levariam seus cães para novos locais para participarem de rinhas de cães, onde estes proprietários seriam ovacionados com frases como, “Seu cão ganhou!”.

Conta-se que: “Um dos lordes do Castelo de Odate, membro do Clã dos Satake, adorava cães de rinha sobre todas as coisas e freqüentemente colocava cães de rinha em um canto de seu castelo, próximo ao portal do Tigre, no propósito de manter a moralidade de seus ministros”.Estas estórias não contem detalhes e não foram encontrados relatos escritos, somente através de relatos orais.

Acrescentando à tudo que já foi mencionado anteriormente, muitas referências sobre cães podem ser encontradas da Época Medieval para a Época Moderna em outras áreas além de Akita e Odate. Isto inclui o conto dos caçadores de alce por Ieyasu Tokugawa que envolviam o uso de mais de 60 Kara-Inus, e o relato da construção de uma arena para cães de rinha por Motochika Chosokabe em Tosa. Pouco, se alguns destes relatos não fossem usados no resgate do Akita. Tsunayoshi Tokugawa, o quinto Shogun, foi o mais famoso personagem relacionado com cães durante o período Togukawa. Ele nasceu no ano do Cão (de acordo com o Zodíaco do Oriente – Nome do calendário oriental, o qual é dividido em períodos de doze anos. Cada ano é nomeado por um animal. (estes são: rato, touro, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, ovelha, macaco, galo, cão e porco.) e por isso estava destinado à amar os cães. Seu amor pelos cães foi tão extremo que, para protege-los, ele legislou a “Lei de Compaixão por Criaturas Vivas”. Qualquer violação, não importando sua gravidade, levava o infrator ao aprisionamento. Esta lei resultou em um rápido crescimento da população de cães em Edo (anterior à Tokyo), necessitando a construção de Canis. Dois destes canis foram construídos, um em Okubo (Maio de 1695) e outra em Nakano (Novembro de 1695). Estes canis foram construídos em áreas de terra totalizando 52,8 hectares. Conta-se que o número de cães alcançava 100.000 animais. Esta lei absurda causou problemas tanto para o governo quanto para os cidadães, os quais deram o infame nome de “Shogun Cão” à Tsunayoshi, pelo qual ele é conhecido até hoje.

Pouco é conhecido a respeito do fato destes cães em Edo. Um artigo em “Cão, Palestra, Cão Japonês” relata: “Por volta da época da guerra Sino-Japonesa (1894), muitos cães ferozes viviam dentro e fora dos fossos do Castelo de Edo – (O castelo em Edo (atualmente Tokyo) construído em 1457. Atualmente o Palácio Imperial.). O grande número de pinheiros nascendo dentro destes fossos e o fato de que estes fossos são limites para o público geral, criou um envolvimento favorável aos cães. Próximo a Ochanomizu em particular, muitas áreas continham vales inacessíveis para humanos. Os cães ferozes encontravam abrigo durante o dia nestes locais, e a noite eles emergiam para procurar comida na cidade. Nesta época, arbustos e bambus cresciam com dificuldade entre Surugadai e Yotsuyamitsuke e nesta área, os cães eram vistos mesmo durante o dia. Os residentes próximos a esta área chamavam à estes cães de Dote-Inú (Cães Muralha).

À partir destes foram reunidos exemplares, em torno de 20 à 30 para cada raça de puros cães japoneses. Muitos eram pretos e brancos ou pintados em cores. Normalmente estes cães possuíam caudas relaxadas, mas quando eles atacavam outros cães à noite, eles curvavam suas caudas sobre o dorso. Todo os Dote-Inus eram grandes e com muita estrutura. Eles pesavam mais que 30 a 33,75Kg. Alguns eram maiores do que os Odate-Inus, e alguns que estavam em ornamentos próximo a Suidobashi pesavam por volta de 45 a 48,75Kg.

Contudo, não há evidência conclusiva de que estes cães ferozes conhecidos como Dote-Inú eram descendentes dos cães criados por Tsunayoshi o “Shogun Cão”, suas presenças na terra de Edo (Tokyo) por dois séculos (por volta de antes de 1894), reforçam esta crença. Suas sobrevivências foram decorrentes certamente pela força da raça e pela seleção natural. Grandes e fortes exemplares foram o resultado. No período Togukawa, o sistema Sankin-koutai(O sistema de forçar os lordes feudais para residir em Edo e em suas respectivas terras alternadamente por períodos de um ano.) promoveu negociações entre Edo, o centro cultural, e regiões vizinhas. Com isso, a possibilidade de cruzas entre os Dote-Inus e outros cães regionais, que acompanhavam seus proprietários à Edo.

Com consideração ao Akita, as misturas de sangue provindas de cães do extremo norte devem ser tomadas em consideração. Entretanto, há poucos relatos documentados de cães vindos de Hokkaido, os quais estavam culturalmente atrasados no tempo. Infelizmente nada que é importante está mencionado aqui. Relatos, entretanto, dizem que um número de cães japoneses foi trazido de Hokkaido. Alguns dizem que estes eram Hokkaidos (chamados em algum tempo de Ainu-Inus). Outro, como um ancião em Odate, relatou-nos que eles eram descendentes de Odate-Inus trazidos por emigrantes de Odate para Hokkaido quando o povo de Yamato foram os primeiros à iniciar o desenvolvimento da região.

Em qualquer dos casos, é presumível que a mudança no uso do Akita (Odate-Inú) de uma raça de caça para uma raça de guarda, tem relação com as mudanças sociais da região, que direcionaram a seleção para cães de porte grande.