Canil Matsuyama - Raça Akita Inu

Anuário de Cães 2012

7 de setembro de 2015

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É com muito orgulho e uma certa surpresa, devo confessar, que recebi o ano passado o convite do Anuário de Cães 2012 da Editora Minuano através da super gentil repórter Gyselle Mendes, para dar minha visão sobre a raça Akita na sessão dedicada ao grupo 5, tudo escrito em uma matéria especial cheia de nuances no olhar sobre a raça, com tantos criadores conhecidíssimos e reconhecidíssmos em todo o Brasil é uma honra sem igual o convite, isso não resta a menor dúvida e só nos lisonjeia, claro que tem a pesquisa feita pelos repórteres envolvidos, a matéria toda ficou muito boa e muito bem montada pela Gyselle e equipe, meus sinceros agradecimentos a todos os envolvidos nesta matéria que só engrandece uma raça que amo do fundo do meu coração e é sem dúvida muito singular.

Abaixo destaco o texto da matéria na integra com a fonte devidamente citada para o deleite de todos:

Matéria destaque do Grupo 5 – Sptiz e cães do tipo Primitivo.

AKITAS
Eficientes na guarda e companhia
UM CÃO FIEL, SILENCIOSO, COMPANHEIRO AMOROSO PARA TODA A FAMÍLIA, MAS QUE NÃO FICA PEDINDO CARINHO E PETISCOS AO LADO DO DONO O DIA TODO. ASSIM É O AKITA, UMA RAÇA IDEAL PARA QUEM BUSCA PROTEÇÃO E AFETO NA MEDIDA CERTA.

“Nenhuma raça é 100% perfeita, todas têm suas peculiaridades, prós e contras. Isso não seria diferente com o Akita. Um cão perfeito, vem de um dono a altura do animal”, estas são as palavras de Roberto Bezerra da Silva, criador da raça Akita, estudioso de comportamento canino e administrador do site Clube do Akita. Sua paixão pela raça teve início a mais de 20 anos, quando teve o primeiro contato com um exemplar em São Paulo. De lá para cá, Bezerra se tornou criador e auxiliou, junto a outros grandes criadores, no desenvolvimento e popularização da raça no país. mas ele lembra que o primeiro e mais importante importador de Akitas no Brasil foi Eiji Tsuruga, de São Paulo. “Sua esposa toma conta dos seus Akitas até hoje após sua morte”, diz.

Assim como muitas raças caninas, o Akita não é um cão para ser criado por donos de qualquer perfil. Pessoas que moram em apartamentos e dispõem apenas de àreas de piso frio para criação, que tem outros cães na propriedade ou que não desejam lidar com duas mudas de pêlos anuais da raça, devem evitar a aquisição de um exemplar de Akita. Por outro lado, eles são perfeitos para aqueles que buscam um cão silencioso, que late apenas quando necessário, que não tem cheiro forte, higiênico e asseado, eficiente na guarda e defende com afinco a família, companheiros e, acima de tudo, tranquilo e que sabe diferenciar os amigos da casa, tratando os estranhos com cuidado e indiferença.

O Akita é um cão muito afetivo com a família e amigos e há muitas histórias antigas sobre o costume das mães japonesas em deixar os filhos sob os seus cuidados. Muito reservado e com instinto de proteção, ele estará sempre pronto para defender seus familiares contra pessoas ou animais ameaçadores. Essas características, aliadas à sua afetuosidade com os donos, tornaram-no um ótimo cão de guarda e companhia.

Apaixonado pela cultura nipônica Bezerra ressalta diversos fatores que o levaram a escolher a raça Akita para criação, entre as quais destacam-se a imponência, postura impávida, olhar distante e especialmente por seu apego e respeito à família. Para ele, não há o que pague acompanhar todas as etapas da criação.

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“Paixão e respeito são os dois sentimentos que me vêm à mente sobre os Akitas. Ver o cio, o acasalamento, a gestação com seus enjôos (sim cadelas enjôam e muito) e depois, com o aumento de apetite da fêmea, a barriguinha crescer até virar um barrigão, os filhotinhos mexendo, a expectativa na hora do parto, o abrir dos olhinhos puxados, os primeiros passos, o primeiro rosnado e latido, e o supra-sumo da criação, ver o olhar do novo proprietário e seus filhos ao receberem em seus braços um filhote que você acompanhou desde a cobertura da mãe até aquele momento. Isso é criar Akitas!”, define o criador.

Um pouco de história

A bibliografia existente hoje no Japão da conta de que a região do surgimento da raça Akita é a região de Odate, que tinha a grande fama de ser um “Centro Canino” no Distrito de Tohoku. Por volta dos anos 1800 (no final do período Togukawa), cães domesticados, os quais tiveram aumento considerável de população devido às condições sócio-econômicas favoráveis, estavam tornando-se gradativamente em cães de rinha. Após a restauração Meiji em 1868, rinhas de cães foram estabelecidas como evento público e um grande número destes cães estava no “Centro Canino” de Odate. Inúmeros nomes foram usados na descrição da raça. Eles eram conhecidos como “Odate-Inú” e “Kazuno-Inú” em suas respectivas áreas do norte da Província de Akita. Eles eram também conhecidos como “Nambu-Inú” provindo o nome do distrito como este era conhecido no período “Han”. Coleti-vamente eles também foram conhecidos como o “Cão Regional”. Destes cães regionais, os que estavam em cidades e eram usados em rinhas eram conhecidos como “Kuwae-Inú” ou “Kuriya-Inú” no dialeto local enquanto outros que eram usados para caça no interior e montanhas eram conhecidos como Matagi-Inú.

Alguns nomes, incluindo Akita, provinham das localidades de onde os cães eram encontrados, enquanto outros como “Kuwae-Inú” e “Matagi-Inú” eram nomes usados de acordo com a função do cão. Os próprios cães eram mais ou menos parecidos. Eles eram todos cães japoneses, sendo raças nestas áreas desde os tempos remotos. Estes foram os ancestrais do Akita atual. Mais de 60 anos passaram desde que o Akita, sendo uma raça única para o Japão, foi considerado como um Monumento Natural e Património Nacional Japonês. Isto aconteceu em Julho de 1931. A raça Akita foi a primeira de sete raças japonesas a ser considerada como tal. Estas sete raças são: Akitas, Hokkaidos, Koshino-Inu, Kais, Kishus, Shikokus e Shi-bas. Anterior a esta época, Akitas eram conhecidos somente pela população local e dos arredores de Odate e do Distrito de Tohoku, e por mais alguns aficionados, pelos nomes de Odate-Inú ou Kazuno–Inú. Com a consideração de Monumento Natural o nome da raça foi trocado pelo nome “Akita” e também impulsionados os esforços para preservar e restabelecer a pureza da raça.

Em 4 de outubro de 1932, uma história real, publicada no Asahi Shinbun (Jornal de Asahi), sobre o leal cão “Hachiko” (veja box), tocou o coração não só dos admiradores, mas também do povo japonês como um todo. O nome “Hachiko” tornou–se conhecido por todo o país e sua raça. Akita, também recebeu muita atenção. Entretanto, a Segunda Guerra Mundial iniciou em 1939 e afetou negativamente todos os aspectos de vida no Japão. Isto resultou em um retardo temporário na propagação e preservação do Akita. A guerra acabou em agosto de 1945, e a estabilidade social fez com que os aficionados por cães priorizassem novamente seus interesses. Sociedades em prol da raça Akita tornam-se novamente ativas ou novamente estabilizadas. O acréscimo de membros nestas sociedades serviu para promover maior cuidado em relaçãc à raça. Isto foi facilitado pela abertura de novas filiais destas sociedades, exibições e outros eventos. O Akita-Inú Hozonkai (AKIHO) foi fundado em 1927 na cidade de Odate; Nihonken Hozonkai (NIPPO) em 1928 na cidade de Tóquio, o Akita-Ir.u Kyokai (AKYKIO) e o Akita-Inú Hozon Kyokai fundados, ambos, após a segunda guerra mundial.

O Japan Kennel Club (JKC) e todas as demais organizações cinófilas, iniciaram o registro de Akitas desde sua fundação em 1948. Em 1981, um clube a âmbito nacional foi fundado juntamente com c JKC para promover o status da raça Akita. Entretanto, houve muitos altos e baixos, como mudanças em relação às organizações e a procura pela essência do Akita. A condição da raça teve um significante aprimorarnento, tanto em característica; como em estrutura.

Características
– É um cão silencioso, que late pouco e só quando necessário.
– A raça é limpa, altamente higiênica e asseada.
– Não tem cheiro de cachorro molhado e de poucos banhos, um por mês é suficiente.
– Um guarda eficiente e silencioso.
– Companheiro para toda a família, desde os pequenos, até os mais idosos.
– Não é uma raça pegajosa que fica pedindo carinho e petiscos ao seu lado o dia todo. O Akita vem quando chamado e se não está para brincadeiras fica em seu canto vigiando.
– É uma raça que diferencia os amigos do dono, dos parentes, dos visitantes assíduos da casa, e trata estranhos com cuidado e indiferença.
– Quando pequenos, os Akitas são ativos e muito alegres, sempre dispostos a urna brincadeira e em aprender coisas novas, conforme vão crescendo ficam mais tranquilos e mais no seu canto, mas nunca deixam de agradar ao seu dono.
– Não é uma raça indicada para criação em apartamentos e áreas de piso liso.
– Akita não se dá bem com cães do mesmo sexo, dominantes ou não.
– Os cães da raça têm duas mudas de pelos por ano, a de inverno e a de verão, ambas são intensas.
– Costuma ter inapetência com facilidade (falta de apetite).
– A raça é propensa à problemas de pele, displasia coxofemural e Síndrome Uvéodermatológica (doença ocular que acarreta deslocamento de retina, levando à cegueira).
– Sabe aquela cena de propaganda de ração em que a pessoa solta o seu cão no parque junto com um monte de outros cães soltos e todos correm felizes? Com a raça Akita isso não aconteceria nunca.

Hachiko popularizou a raça no Japão

O que trouxe os Akitas para a atenção de toda a nação japonesa foi um artigo sobre o leal cão “Hachiko” editado em “Asahi Shinbun” (Jornal de Asahi) em 4 de outubro de 1932. O artigo intitulado “A movimentada estória de um velho cão: 7 anos de espera por seu mestre falecido”, acompanhado de fotos, coincidindo bem com os sentimentos da época (Incidente da Manchuría em 1931) tocou os corações não somente dos admiradores mas também de todo o povo japonês. O nome “Hachiko” tornou-se conhecido pelo país e sua raça, Akita, também teve esta repercussão.

Hachiko nasceu em novembro de 1923 na cidade de Odate. Em Janeiro de 1924, quando Hachiko tinha 2 meses de idade, Dr. Eizaburo Ueno, professor de agricultura da Universidade de Tokyo, adquiriu–o de um amigo criador. A casa do dr. Ueno situava-se em Shibuya Oomukai, Shibuya-machi, na periferia de Tokyo. Ele deslocava-se de trem para a Universidade de Agricultura em Komaba, como também para a Estação Experimental de Agricultura Nishigahara do Ministério da Agricultura e Reflorestamento.

Hachiko foi criado como um membro da família e acompanhava seu dono não somente em caminhadas, mas também nas idas e chegadas à estação de trem todas as manhãs e noites. Em maio de 1925, Dr. Ueno faleceu devido a um mau súbito. Hachiko tinha só um ano e meio de idade. Após a morte de seu mestre, Hachiko foi cuidado por amigos e parentes do Dr. Ueno. Mesmo assim, ele ia todos os dias até a estação de trem esperar pela volta de seu mestre.

Uma estátua de Hachiko foi erguida na estação de Shibuya em abril de 1934. Hachiko morreu um ano depois em 1935 com a idade de 12 anos e 5 meses. As notícias de sua morte trouxeram muitos visitantes à estação de Shibuya que cobriram a estátua de Hachiko com flores. Diz-se que a fumaça dos incensos fez com que o dia ensolarado se tornasse nublado. O público interessado em Hachiko popularizou o nome “Akita” e resgatou a atenção dos admiradores. Entretanto, nenhum desenvolvimento expressivo pôde ser esperado nesta época devido ao Incidente da Manchúria (1931) e os subsequentes 15 anos de guerra. Esta é provavelmente a razão porque o material publicado e documentos sobre Akitas nesta época limitam-se aos contos sobre Hachiko.

Colaborou para esta matéria:

Roberto Bezerra da Silva
Criador da Raça Akita e estudioso de comportamento canino

Sites: www.canilmatsuyama.com.br e www.clubedoakita.com.br

Fonte:Revista Anuário de Cães 2012 – Ano XI – Nº09, que pode ser encontrada em todas as bancas do país por R$ 19,90 e é o mais completo guia de raças para quem tem curiosidade em ler e aprender mais sobre os cães e suas raças específicas, o conteúdo é de primeiríssima qualidade.

Obrigado a todos pelo reconhecimento e até a próxima!

Roberto Bezerra da Silva

Criador e Administrador do site pessoal Clube do Akita – O Guardião Japonês.